casadárvore - electromagnetically
20th ago 09

Perto do fim do ano passado, surgiu uma pichação em Salvador que chamou a atenção de alguns amigos meus. Era uma frase apenas, uma promessa ou uma ameaça: eu te pego Joice! Esta manifestação artística foi avistada pela primeira vez por três estudantes da UFBa sobre um muro próximo a uma agência dos correios no bairro da Graça, e logo em seguida uma das meninas estampou em seu Orkut a frase. Era a minha Sorella a faze-lo, e a minha primeira reação foi de ciúme pensando se tratar de uma brincadeira dela com alguma amiga Joice (sim, eu sou uma ciumenta de atenção). Poucos dias depois eu recebi uma descrição do acaso que os levou a esbarrar com essa obra-prima e fui contaminada pela empolgação quanto à arte. Porque, não se duvide, é arte. Esse grupo de amigos pode se encaixar numa definição grosseira e abrangente do tipo nação lhama virulenta e contagiosa da baianidade nagô libertária expansiva nonsense da reconvexidade (e, bem, a referência Caetaneana, por menos que me agrade, não é descabida). Se dentre os conceitos de definição estivesse listado discordianista, essa pichação teria sido entendida ou adotada como um mindfuck. Especialmente depois que começaram a aparecer mais e mais pichações com os mesmos dizeres, em diversas partes da cidade. Certo dia estava dirigindo com Xuxu no carona quando me deparei com a pichação que divido neste post. Meio que sem parar, saquei o celular e registrei essa versão exposta na Barra.  na Barra, perto da Marquês de LeãoAlém dessas duas, pelo menos outras 3 foram relatadas, embora eu só me lembre de haver visto mesmo a que fotografei. Algumas vezes, geralmente sob os auspícios da cevada, ficamos a confabular a respeito da natureza do “eu te pego”. Poderia mesmo ser uma ameaça, mas de dois tipos: 1) eu te pego e te arregaço na porrada, minha querida Joice ou 2) ah se eu te pego do jeitinho, do jeitinho que eu tô aqui… é tchan tchan tchan (e essa possibilidade traz a sensação de que Joice provavelmente já rechaçou nosso sujeito, mas ele há de pega-la – tomara que não à força)!  Ou ainda um terceiro sentido, este piedoso e não ameaçador, que foi aventado mas não foi enfaticamente crido: eu te pego, Joice, mesmo tu sendo esse tribufú – só não tente se matar, pelo menos essa noite não, etc… Bom, acho que por piedade o pichador tinha que ser muito bom samaritano. Eu não me daria ao trabalho.

Depois que tomei conhecimento dessa expressão, sempre pululava em minha mente quando eu via um uomo pegável “eu te pego, Joice”. E, bem, pelo que eu fiquei sabendo parece que eu não só pensava isso como também dizia com os olhos. Até que no dia de Yemanjá deste ano (dia 2 de fevereiro), essa história virou um mini-mindfuck. Confessei a umas duas amigas, que estavam comigo e com o resto da nação lhama na festa de Yemanjá, que me vinha à mente essa frase quando detectava a pegabilidade de alguém (e note-se: não me sinto atraída por meninas) e passamos o dia todo chamando os pegáveis da Bahia de Joice (dig.: se algum dia você ouvir “hey, Joice!”, na rua, pode ser com você. Beware! :.gid).

Foi um mindfuck da lhama. E foi divertido.

Mas constituímos um grupo muito bonzinho e cacofônico, e então o mindfuck antes de acabar a noite se dissolveu por explicações científicas acerca dos joicismos do dia. Nessa ocasião, no entanto, devo acrescentar que a categoria de quem diz “eu te pego, Joice” também foi definida: a guerrilha.

A pergunta, então, é a seguinte: hoje você está mais pra Joice ou pra guerrilha?

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